quarta-feira, setembro 02, 2009


Foi em oneroso momento de subconsciencia irrefreável, recente, que ví seu rosto novamente. Estávamos em minha escola antiga, com pessoas que não faziam parte do metier à minha volta. Tudo um tanto borrado quando o seu rosto se destacou, sorrindo, como sempre tive de lembrar você, que é uma das melhores coisas que você sabe fazer. Por certo despertando em mim aquela sensação de alegria indiscreta quando se vê pessoa há tempos esquecida. Porém, diferente do que imaginava o comum pensamento quase presente, você beijou minha boca ao me cumprimentar. Eu afastei, atônito, com tantas perguntas em mente que resolvi não proferir sequer suspiro e voltei a beijá-la, como acredito que seja firme, delicado e marcante ao ponto de tirar seus pequenos pés do chão.

E tais segundos de louco êxtase foram suficientes para trazer à tona a desgraçada consciência e eu acordei. Sentado na cama ainda sentindo seus lábios entre os meus dentes. Sua cintura entre os meus braços, algumas mechas castanhas entre os meus dedos. Mas acho que foi sentindo a água quase quente do chuveiro bater em meu rosto e lembrar-me que você foi uma das pouquíssimas que escorreram por entre as minhas mãos, a batalha perdida. Como diria a vocalista do Cardigans, I lost my favorite game.

Eu cometi assumidos erros, mas não chorei ou me senti desolado pela falta de confiança característica, e por vezes devida. Eu sorri. Talvez intrigado com a remota possibilidade de tentar de novo, um dia, quem sabe? Existem pessoas que passam e se vão, conhecemos diversas delas. Mas algumas raras deixam aquele buraco inconformado que não deveria ter sido assim. Deveria ter sido diferente. Deveríamos ter vivido um filme em branco e preto. Mas não importa. Pois se rebobinarem o mundo, nós ainda vamos viver para sempre e você ainda pode ficar de chapéu.

My Fair Lady, there's no Love Among Thieves.

4 comentários:

Mah disse...

nobody likes to lose their favorite game, bee. lembre-se sempre disso. sempre deixa aquela pergunta "e se...?".
e lembre-se que sempre, sempre, tem o futuro, maleável e mutável.

Patricia disse...

...e é exatamente isso que move a vida: a incerteza. As raras pessoas que marcam, na verdade, nunca deixam de existir em nossa vida. E isso não é hipocrisia...é só olhar em volta...

"Quem tem um porquê viver encontrará, quase sempre, o como."
(Nietzche)

se o rei do niilismo acredita que dá pra encontrar o "como"....quem somos nós pra duvidar do que pode ser possível? Um dia... sei lá...
:O)

Lady disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
MAGA disse...

Concordo plenamente. Prefiro até lamentar um erro cometido do que a dúvida da incerteza!
Como o velho ditado "Há males que vem para bem", essa postagem mostra que "os brutos também sofrem".
Talvez pela disilusão; talvez, só para garantir o orgulho de macho, por não ter paritdo dele a opção do fim; talvez, por que não, por realmente sofrer a dor da perda.
A verdade é que todos sangramos, choramos, erramos, fracassamos. Mesmo que nem sempre. Mesmo que só as vezes, para quebrar a rotina.
Mas todos, sem exceções, seguimos em frente! Com a cabeça erguida ou não. Mas sempre em frente!!