quarta-feira, junho 07, 2006


Verborragia. Hemorragia mental.

Nada em volta faz sentido quando tudo parece se encaixar perfeitamente, dente por dente, na engrenagem repetitiva da humanidade. Assistindo ela se desgastar e ruir sob o poder implacável do tempo, como qualquer outra máquina, fadada à destruição e futura reposição. Reciclagem. Restabelecendo-se por conta própria. Nada faz sentido. As intenções e vontades humanas não fazem sentido. Quando você é rico e tem de tudo sua alma ainda pede mais. Quando você é pobre se pergunta por quê. E na corda bamba entre os dois extremos, assistindo alguns tombarem e outros acenderem violentamente você imagina o quanto o mundo é perversamente surreal. Estamos todos mortos talvez. Talvez isso seja na realidade o inferno, onde todos têm de trabalhar cinco ou seis dias para se divertir e descansar um. Onde nos sentimos sempre obsevados pela intangível figura paterna criada pela religião. A figura que irá nos punir se nós fizermos o que desejamos e não o que ela permite. Um mundo de regras, sem a harmonia natural da natureza. Não somos naturais. Não somos bichos. Não fazemos parte do mesmo mundo que o resto dos seres vivos. Somos os mais frágeis, os mais covardes e temos ainda a desvantagem de saber disso.

Cada vez mais sangue escorre das páginas do jornal, das palavras do radialista, da tela da TV. Chamam isso de notícia quando deveriam chamar de apelo, de aviso, um mundo decadente gritando para ser salvo enquanto insistem em destruí-lo. Nós. Humanos vivendo no fio da navalha esperando a hora onde seremos resgatados deste pesadelo repetitivo do dia-a-dia, desta rotina viciosa que não nos deixa viver. Soneto luminoso na página esférica da humanidade.


3 comentários:

Fefos disse...

Por isso que seu amigo ainda vai morar na Europa... Música boa, breja fudida, whisky animal, mulheres lindas...

Bruno Araujo disse...

Eu gosto do Brasil.

Lady disse...
Este comentário foi removido pelo autor.