quinta-feira, abril 09, 2009

Foi um dia interessante. Eu saí do trampo na quinta feira e fui encontrar minha mina num café perto do trampo dela. Sabe como é mulher, ela tava toda carentona e queria me ver. Fui lá pra dar aquela paparicada básica e manter a namorada. Não vou mentir pois não sou hipócrito, queria voltar meio que cedo pra casa pra assistir a jogo do timão, mas namorada é mais importante. Encontrei ela no horário combinado e a fofa tava sentada me esperando bonitinha, tomando um copo de café com leite grande e infelizmente fumando aqueles porras daqueles charutinhos que eu odeio. Fiz que não liguei pro bem da relação e dei um beijão nela de saudade e sentamos juntos. Contei brevemente sobre o meu dia e ela descambou de repente a falar sem parar, toda empolgada, sobre o que faríamos depois, nas férias eu acho. Eu não consegui prestar atenção muito, não vou mentir. Sabe aquela garçonete com um puta par de peito lindo que trabalha no café? A minha não tirava os olhos de mim! To falando sério. Descarada. E olhava e sorria e olhava de novo. Mesmo eu tando acompanhado! Vadia no dez! E ficou secando o tempo todo e ia pra trás do balcão e contava pras outras e as baianinhas ficaram sorrindo pra mim também. Eu dei umas olhadas e retribui, claro, mas super descreto, sem minha mina perceber pra não dar bola fora. Não pode dar bandera senão a patroa estressa. Foda. O problema foi quando minha mina virou e perguntou: "O que você acha?" E eu respondi na lata: "O que você preferir tá bom pra mim, amor." e ela sorriu, toda feliz, dizendo como eu era bom pra ela. Mulher é assim, faz o que ela quer que você tá suave. Saímos de lá e eu vim pra casa. O Tuba e o Digão vieram assistir o jogo e trouxeram cerveja. Timão ganhou. Foi um dia interessante.

Foi um dia decisivo. Já fui trabalhar com cólica, como se meu corpo soubesse do meu estado de nervos emocionais. Odeio quando eu não tenho certeza do que eu quero. Não sabia se ainda queria ficar com ele ou não ou se eu ainda aguentava dar uma segunda segunda chance. Liguei pra ele com aquele frio na barriga, sentindo como se meu coração fosse feito de papel machê. Ele foi seco, como de costume quando está sem paciência. Engraçado como ele é completamente eloquente quando quer me comer. Cretino. Acho que foi a gota d'água. Não sei. Nunca sei exatamente. Tenho medo de mim. Ás vezes. Preferi conversar direito com ele e pedi para que ele me encontrasse no Franz lá perto de casa. Óbviamente ele atrasou, de novo. Não aguentei esperar. Estava nervosa mas quando pensava em terminar de vez com ele me sentia aliviada, como se o peso de mais de quatro anos fosse erguido por Hércules e agora eu estivesse livre. Doía mas era uma dor boa. Era a violência da liberdade. E então eu ficava nervosa de novo pensando que ele podia chorar e fazer uma cena. Pedi um copo alto entupido de Baileys, duplo, e uma cartilha de cigarrilha de creme. Mal acendi o primeiro e ele chegou. Nem me dei ao trabalho de apagar, foda-se. Eu sei que ele não gosta mas eu não estava nem aí. Talvez se eu causasse certa raiva nele ele ia levar a separação como algo que nós já devíamos ter feito há anos. Ele me deu um selinho, meia-boca, com mais nojo do cigarro do que com prazer da minha boca. É feio dizer isso mas me deu raiva dele. Vontade de bater com a cabeça dele no assoalho e pisar em cima. Ele descambou a falar sobre o dia dele e sobre tecnologia e aquele ódio foi crescendo até o ponto que eu surtei e falei que nós não estávamos caminhando pra lugar nenhum. Ele respondeu: "Claro que não, nós estamos sentados!" e riu. Eu quis morrer. Daí eu não tive escolha senão contar toda a tragetória do meu sentimento por ele e sobre o que iríamos fazer daqui pra frente. E enquanto eu contava o idiota ficou olhando na cara de pau pra garçonete!! Daí eu decidi. Eu não queria mais aquilo. Eu não queria mais ele. Chega! Eu quero voltar a gostar de mim mesma! Eu não consigo me olhar mais no espelho sem me odiar por estar com ele! E quando eu cheguei no assunto de terminar mesmo, que era melhor pra nós dois e perguntei o que ele achava ele me responde que o que eu quiser era melhor. Daí eu sorri. Eu estava livre. Foda-se se ele entendeu ou não. Eu decidi ali mesmo quando percebi que mais uma vez ele não estava prestando atenção em mim. Foi muito bom pra mim ele ter sido um idiota mesmo no ápice do final. Fui pra casa. Saí pra jantar com um amigo meu. Pedimos vinho tinto. Foi um dia decisivo.

Foi um dia engraçado. Depois do alemão ter colocado álcool zulu no uísque de um boy que insultou a Clélia ainda me chega uma menina que certamente ia terminar com o namorado e quando o tal namorado chega ele passou o tempo inteiro com a braguilha aberta achando que tava abafando. Cobrei uma cerveja a mais e ele ainda me deu o telefone dele num guardanapo. Trouxa. Foi um dia engraçado.

"Take me down to the Paradise City, where the grass is green and the girls are pretty."
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- Guns n Roses, Paradise City.

9 comentários:

Lady disse...
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Patricia disse...

É... realmente.... rir pra não chorar.... hahahahahahaha
E "hipócrito" foi o máximo!
Mas já dizia o sábio poeta (?): "...é preciso ter uma mente absurdamente privilegiada para se enxergar o óbvio..."
VC É ÓTIMO !

Dani Varanda disse...

Olha, a única inverdade deste conto é o fato de o Timão ter jogado na quinta. Mas as verdades são muitas (inclusive a de que Corinthians ganhou).

Fernando disse...

Muitas vezes estamos ouvindo nossas mulheres mesmo e nem prestamos atenção... Também, só falam merda... hahahaha

Lady disse...
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Ana Todyoung disse...

Seria o Brasil um país em desiquilibrio entre o que homens e mulheres demandam ou podemos dizer que as relações parecem constantemente se fundir num caótico latin romance entre egos e simulacros?

Amtody

Fernando disse...

Lady, desculpa. Você tem razão, eu exagerei... Vocês não falam merda o tempo todo... 90% só. Os outros 10% até que é interessante, tipo o que vamos comer, que filme vamos assistir, enfim, essas coisas... O resto sinceramente não estamos interessados. Não nos interessamos que o seu chefe é um mala, que sua colega de trabalho é uma puta, que a outra usou a mesma roupa que a sua, que um colega seu da em cima de você (peraí, isso entra nos 10% porque você ai o homem fica puto da vida e a mulher gosta que os homens tenham ciumes... hahahahahha)

Lady disse...
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Anônimo disse...

E os homens mais ainda, não é verdade?
Na verdade creio que as milheres falem banalidades para que os homens possam entender ao menos 10% do que falam!
Se usassem todo potencial intelectual que possuem, notariam o perfeito sem noção com quem dialogam...