terça-feira, junho 12, 2007



Eu olho em volta e não consigo enxergar exatamente qual o sentido de tudo isso. Da necessidade de acordar cedo e trabalhar muito para se ter respeito ou de comprá-lo com muito dinheiro. Da necessidade de se encaixar num padrão social distorcido que um dia inventaram. De fazer o que é certo mesmo sabendo que foi um grupo de humanos normais que decidiram o que é o certo em si. E eles também erram. É como se a minha vida fosse regida pela rotina tediosa que a sociedade impõe, mas escutando aquela voz no fundo da cabeça dizendo que isso não está certo. Como se meus dias fossem narrados pela espontâneidade sinistra de Christopher Walken.

Tenho quase certeza. Quase. De quando eu chegar no fim da minha vida eu vou me arrepender de não ter feito um monte de coisas. De não ter chutado um monte de gente da minha vida pois eu sou um palhaço de coração mole que quer agradar todo mundo sem esperar nada em troca. Pois isso que me ensinaram. Que dar sem querer receber é honrado, nobre, altruísta. Tenho certeza que no fim vou perceber que tudo o que fiz, fiz por ser um idiota que acreditou numa ideologia falha. Quando meus melhores momentos forem apenas lembranças distantes. Quando eu estiver velho e cansado como Christopher Lee.

Tudo não vai passar de um conjunto de momentos que foram interessantes naquele momento específico e depois se tornaram motivo de piada. Como se eu não tivesse existido e sido um sucesso um dia, como se um dia pessoas não tivessem me adorado, me amado, me chamado por elogios diversos. Eu serei esquecido, eventualmente, por tudo e por todos. Afinal é assim que o mundo funciona para a enorme maioria da população. Você tem seus momentos bons, mas eles só afetam um punhado de pessoas que não se importam de verdade com a sua existência mal atuada, no melhor estilo de Christopher Lambert.

Mas ainda há tempo! Para todos nós, acredito! De mandar todo mundo se foder e se dar bem com isso. Falar o trivial para despertar um sorriso numa pessoa que você gosta, de trepar a noite inteira com aquela outra que você admira, de olhar pra sua cara preguiçosa no espelho e sentir que você é a única coisa no mundo que importa, pois só você vai estar do seu lado nos seus piores momentos. Usar as mazelas do mundo como escada para se destacar, ser feliz e ainda rir muito com isso. Como Christopher Rock.

Que assim seja, então! Chega de criancisse, de pessoas que se apóiam em imagens fúteis e aparências decadentes para ter seus minutos de fama vã. Chega de adular o bando de palhaços que me adicionam no Orkut para se sentirem cheios de amigos ou aqueles que querem saber o que eu faço da vida por acreditar que é o trabalho que molda a pessoa. Eu sou aquele que enxuga as minhas lágrimas, que paga minhas contas, que beija minhas mulheres e que ri do mundo enquanto ele bate na minha cara. Seja mais você pois eu certamente sou mais eu. E se vocês se sentirem mal com isso, que meu círculo social se parta ao meio e morra. Como Christopher Reeve.

5 comentários:

gabi disse...

Deprê a princípio.
Mas real e essencial.
E o seu melhor texto até agora.

Cybermov@ disse...

espontaneidade!!!! ESPONTANEIDADE!!!! SEM ACENTO!!!! Não corrigiu saporra ainda???
Abrássos e túdo de bôm!!!

Fefos disse...

Christopher: CHRISTO + PHER...

Cristo, bem, foi Jesus...

Pher vem de soPHRER, mas como o cara que inventou esse nome não sabia falar direito, então falava sofer...

Então Christopher nada mais é que Cristo que sofre...

OUT!!

Anônimo disse...

"pher" vem de "soPhrer"? aaaaaaahahahahahahahah

Lady disse...
Este comentário foi removido pelo autor.